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Atualizadosábado, 29 de agosto de 2026
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O que é cartório: os cinco tipos e o que cada um resolve

A palavra é usada como se existisse um só, e é justamente por isso que tanta gente vai ao endereço errado.
Por · · 7 min de leitura
Balcão de madeira de um cartório com carimbo, almofada de tinta e campainha de mesa

Entender o que é cartório resolve boa parte das dúvidas que aparecem na hora de casar, comprar um imóvel, reconhecer uma assinatura ou dar entrada em um inventário. A palavra é usada no dia a dia como se existisse um só tipo, e essa confusão faz muita gente perder viagem indo ao lugar errado com o documento na mão.

Na prática, cartório é o nome popular do serviço notarial e de registro: uma atividade privada, exercida por delegação do poder público, que dá fé pública a atos e documentos. Existem cinco especialidades principais, e cada uma resolve um tipo de assunto.

O que significa dar fé pública

Fé pública é a presunção de verdade que o Estado atribui ao que o serviço registra. Quando o tabelião declara que a assinatura foi feita diante dele, esse ato vale contra todos, e quem quiser contestar precisa provar o contrário na Justiça.

É esse mecanismo que permite comprar um imóvel de um desconhecido, aceitar uma procuração de alguém que está em outro estado ou provar que um contrato existia em determinada data. Sem ele, cada negócio dependeria da confiança pessoal entre as partes.

Os tipos de cartório e o que cada um resolve

As cinco especialidades e os serviços de cada uma
EspecialidadeResolve
Tabelionato de notasEscrituras, procurações, reconhecimento de firma, autenticação, inventário e divórcio consensuais
Registro civil das pessoas naturaisCertidões de nascimento, casamento e óbito, habilitação para casar
Registro de imóveisMatrícula do imóvel, transferência de propriedade, hipoteca, usucapião extrajudicial
Registro de títulos e documentosRegistro de contratos particulares e notificações extrajudiciais
Tabelionato de protestoProtesto de títulos e a baixa depois do pagamento

A regra prática para não errar o endereço: documento que nasce ali dentro, como certidão de nascimento, é registro civil. Documento que já existe e precisa ganhar validade, como um contrato assinado em casa, é notas ou títulos e documentos. Imóvel é sempre registro de imóveis, sem exceção.

O cartório de notas na rotina das pessoas

É o mais procurado, porque concentra os serviços do dia a dia. Ali se reconhece firma, se autentica cópia, se lavra procuração e se fazem escrituras de compra e venda. Também é onde tramitam divórcio e inventário consensuais, sem passar pela Justiça.

Quem nunca precisou costuma se surpreender com a diferença de preço entre atos parecidos. Vale conferir com antecedência quanto custa reconhecer firma em cartório e o que muda em relação a onde autenticar documentos, porque são atos distintos e com finalidades diferentes.

Quem é o titular do cartório

O titular não é funcionário público, e o serviço também não é uma empresa comum. Ele recebe uma delegação do Estado depois de aprovado em concurso público de provas e títulos, e responde pessoalmente pelos atos praticados na serventia. Os demais funcionários são contratados pelo regime comum de trabalho.

Essa combinação explica duas coisas que costumam confundir. A primeira é que os valores cobrados não são livres: são emolumentos fixados por lei estadual, e por isso mudam de estado para estado. A segunda é que a fiscalização cabe ao Tribunal de Justiça, e não a um órgão do Executivo. Quem tem interesse na carreira encontra o caminho em como trabalhar em cartório.

O que é o CNS de um cartório

CNS é o Código Nacional de Serventia, um número de seis dígitos que identifica cada cartório do país no cadastro do Conselho Nacional de Justiça. Ele aparece impresso nas certidões e nos selos de autenticidade.

Serve para duas coisas úteis ao cidadão: conferir se uma serventia existe de verdade e localizar o cartório correto quando você tem apenas o número que consta em um documento antigo. A consulta é gratuita no portal do Conselho Nacional de Justiça.

Cartório é público ou privado?

É os dois, e é justamente essa natureza híbrida que gera confusão. A atividade é pública, porque decorre de delegação do Estado e presta um serviço obrigatório. A gestão é privada, porque o titular administra a serventia por conta e risco, contrata pessoal e arca com as despesas.

Do ponto de vista de quem usa, o que importa é que o atendimento tem regras públicas: existe horário fixado, tabela de emolumentos publicada e canal de reclamação na corregedoria. Se você foi mal atendido ou cobrado a mais, a reclamação não é ao Procon, e sim à corregedoria do Tribunal de Justiça do seu estado.

O que dá para resolver sem sair de casa

Boa parte dos atos migrou para o meio digital. Certidões de nascimento, casamento e óbito podem ser pedidas online com entrega em domicílio. Procurações e escrituras podem ser feitas por videoconferência pela plataforma nacional do notariado, com assinatura digital.

Isso não vale para tudo. Reconhecimento de firma por autenticidade ainda exige presença, porque depende da comparação da assinatura na hora. Antes de se deslocar, vale conferir o funcionamento do cartório aos sábados, que é a dúvida mais comum de quem trabalha em horário comercial.

Os erros mais comuns de quem vai ao cartório

Três deslizes respondem pela maioria das viagens perdidas. O primeiro é levar documento sem a assinatura já registrada: para reconhecer firma, é preciso ter aberto a ficha de assinatura antes, e isso só pode ser feito presencialmente, uma única vez, no cartório de sua escolha.

O segundo é confundir cópia autenticada com documento reconhecido. Autenticar é declarar que a cópia confere com o original; reconhecer firma é declarar que a assinatura pertence a quem se diz autor. São atos diferentes, com preços diferentes, e pedir o errado obriga a voltar.

O terceiro é ir ao cartório errado por questão de território. Registro de imóvel só pode ser feito na serventia da circunscrição em que o imóvel está, e registro de nascimento segue o local do parto ou o domicílio dos pais. Nesses dois casos, escolher pelo cartório mais perto de casa não funciona.

Quanto custa em média um serviço de cartório

Não existe preço nacional, e qualquer valor divulgado como definitivo merece desconfiança. Os emolumentos saem de tabelas estaduais atualizadas todo ano, e a diferença entre dois estados chega a ser de várias vezes para o mesmo ato.

O que dá para dizer com segurança é a ordem de grandeza. Reconhecimento de firma e autenticação de cópia ficam na casa de poucos reais por ato. Procuração e escritura variam conforme o valor do negócio envolvido. Certidões de registro civil de primeira via são gratuitas em todo o país, assim como a segunda via para quem se declara pobre na forma da lei.

A tabela do seu estado fica publicada no site do Tribunal de Justiça e no do sindicato dos notários. Consultar antes evita surpresa no balcão, sobretudo em atos que envolvem valor de imóvel.

Perguntas frequentes

O que é cartório, em poucas palavras?

É o serviço notarial e de registro que dá fé pública a atos e documentos. Funciona por delegação do Estado, com gestão privada, e se divide em cinco especialidades.

Posso escolher qualquer cartório?

Depende do ato. Reconhecimento de firma, autenticação e escritura podem ser feitos em qualquer tabelionato de notas do país. Registro civil e registro de imóveis seguem a regra de território, ligada ao local do fato ou do imóvel.

Qual a diferença entre tabelião e oficial de registro?

O tabelião lavra atos novos, como escrituras e procurações. O oficial de registro guarda e publiciza atos, como o nascimento de uma pessoa ou a propriedade de um imóvel.

Por que o preço muda de estado para estado?

Porque os emolumentos são definidos por lei estadual. O mesmo ato pode custar valores bem diferentes em dois estados vizinhos, e a tabela é pública.

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