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Estrangeiros dominam quartas da Copa do Brasil e expõem crise de técnicos

Estrangeiros dominam quartas da Copa do Brasil e expõem crise de técnicos

Os treinadores estrangeiros vão dominar as quartas de final da Copa do Brasil. Pela primeira vez na história da competição, eles serão maioria nesta fase do torneio: seis dos oito clubes classificados são comandados por técnicos de fora do país. Apenas dois brasileiros sobreviveram. O recorde revela uma realidade que vem se tornando cada vez mais evidente: o futebol brasileiro continua produzindo jogadores, mas deixou de revelar grandes treinadores na mesma proporção.

São seis estrangeiros entre os oito classificados: Abel Ferreira, no Palmeiras; Artur Jorge, no Cruzeiro; Luís Castro, no Grêmio; Pedro Emanuel, no Vasco; Eduardo Domínguez, no Atlético-MG; e Paulo Pezzolano, no Internacional. Os únicos brasileiros são Jair Ventura, no Vitória, e Cuca, no Santos.

O recorde anterior havia sido registrado nas quartas de final de 2024, quando quatro estrangeiros comandavam metade dos oito classificados. Agora, pela primeira vez, eles são maioria.

Não se trata de discutir se isso é bom ou ruim para o futebol brasileiro. Muito menos de transformar o assunto numa espécie de xenofobia futebolística. O mercado é livre. Técnicos argentinos, portugueses e uruguaios têm todo o direito de trabalhar no Brasil, assim como treinadores e jogadores brasileiros atravessam o Atlântico há décadas em busca de oportunidades.

A questão é outra — e talvez mais incômoda: o futebol brasileiro parou de produzir grandes treinadores na mesma velocidade em que produz jogadores. Os estrangeiros não tomaram o espaço dos brasileiros. O espaço estava aberto e eles ocuparam.

Um país que possui quatro divisões nacionais, dezenas de campeonatos estaduais, centenas de clubes profissionais e uma quantidade enorme de treinadores em atividade deveria produzir regularmente novos nomes capazes de assumir seus grandes clubes. Mas isso não está acontecendo.

Filipe Luís talvez seja a grande exceção recente. Surgiu no Flamengo, teve sucesso rapidamente, mostrou ideias modernas e personalidade para comandar um gigante e já seguiu para o futebol francês. É um dos nomes mais promissores da nova geração brasileira. Mas é pouco. Muito pouco para o tamanho do nosso futebol.

Enquanto o Brasil procura o próximo grande treinador, portugueses, argentinos e uruguaios chegam com novas metodologias, conceitos diferentes, equipes próprias de trabalho e, principalmente, conquistam a confiança dos dirigentes.

A Copa do Brasil apenas escancarou essa realidade. Há dois anos, nas quartas de final de 2024, os estrangeiros já comandavam quatro dos oito classificados. Agora são seis.

Não parece mais uma moda. Virou tendência. E talvez a pergunta que o futebol brasileiro precise fazer não seja por que existem tantos estrangeiros trabalhando aqui. A pergunta é: onde estão os novos grandes treinadores brasileiros?

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