O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou a retirada do ar de um vídeo em que o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) afirma que o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), “não é”, “nunca foi” e nem “nunca será um candidato de direita”. A decisão liminar foi assinada pela juíza auxiliar Claudia Fonseca Fanucchi na quinta-feira, 16.
A magistrada apontou indícios de propaganda eleitoral negativa paga e uso de imagens sintéticas ou digitalmente manipuladas sem a devida identificação, o que contraria as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O vídeo, que estava publicado no Instagram, não está mais disponível na rede social.
Segundo a decisão, a inteligência artificial foi usada para “associar André do Prado a outros agentes políticos e a apresentá-lo em posição de subordinação”. André do Prado é aliado político do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
A juíza também considerou que Salles descumpriu a Lei das Eleições ao impulsionar uma publicação com teor negativo sobre o adversário. A norma permite o impulsionamento “apenas com o fim de promover ou beneficiar candidatos ou suas agremiações”.
Procurado pela reportagem, Salles afirmou que cumprirá a decisão judicial. “Mas não tenho dúvida em afirmar que ele é Centrão raiz, filhote do Valdemar. Não é direita, nunca foi, e nunca será”, disse o pré-candidato a senador pelo Partido Novo. André do Prado não quis comentar a decisão.
A disputa pelas duas vagas ao Senado em São Paulo tem dividido a direita. André do Prado e o ex-secretário de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), concorrem na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto Salles disputa de forma isolada.
Nos bastidores, há o temor de que, com mais candidatos do que as duas vagas em disputa, ocorra uma canibalização dos votos do eleitorado conservador. Isso poderia abrir espaço para a eleição de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB), que estão na chapa do pré-candidato ao governo, Fernando Haddad (PT).
