12/02/2026
Agencia Nacional de Noticias»Notícias»Jovens de Bangladesh Perdem Protagonismo Antes da Eleição

Jovens de Bangladesh Perdem Protagonismo Antes da Eleição

Bangladesh está se preparando para uma eleição nacional que muitos consideram a mais significativa em décadas. No dia 12 de fevereiro de 2026, cerca de 127 milhões de cidadãos devem votar na primeira eleição desde o levante estudantil de julho de 2024, que resultou na queda do governo da primeira-ministra Sheikh Hasina. Este momento representa um teste crucial para a recuperação de um país que tem enfrentado anos de turbulência política e repressão.

A revolução da geração Z em Bangladesh ganhou destaque quando jovens estudantes lideraram protestos significativos exigindo a abolição de cotas em cargos do serviço público. Essas cotas, que reservavam um terço das vagas para parentes de veteranos da Guerra de Independência, foram abolidas em 2018, mas restabelecidas em 2024, gerando indignação entre os jovens. A repressão violenta às manifestações, que se intensificou no verão de 2024, transformou os protestos em um movimento nacional, culminando na fuga de Hasina para a Índia, após um dia de violência que resultou na morte de pelo menos 52 pessoas.

Após a queda do governo da Liga Awami, muitos esperavam que os líderes da geração Z assumissem papéis de destaque no novo governo. Muhammad Yunus, laureado com o Nobel da Paz, assumiu a liderança do governo interino e rapidamente proibiu a Liga Awami de participar da política. Com a Comissão Eleitoral cancelando o registro do partido, o cenário político agora é dominado pelo Partido Nacionalista de Bangladesh (PNB), que se reposicionou como a principal força de oposição.

No entanto, os jovens revolucionários enfrentam desafios significativos. O Partido Nacional dos Cidadãos (PNC), formado por líderes estudantis que participaram da revolução, está lidando com profundas divisões internas. Um sinal preocupante surgiu em setembro, quando os candidatos apoiados pelo Jamaat-e-Islami, um partido islamista anteriormente banido, venceram as eleições estudantis nas principais universidades, marcando a primeira vez que um partido islamista assumiu o controle do diretório estudantil da Universidade de Daca.

Essa vitória do Jamaat-e-Islami destaca a dificuldade do PNC em consolidar sua influência entre os jovens. Apesar das promessas de combater a corrupção e restaurar a independência do Judiciário, os islamistas têm encontrado apoio popular. O PNC, por sua vez, promete justiça para as famílias dos mortos durante os protestos e a criação de empregos, mas enfrenta limitações em sua aliança com o Jamaat, que permite apenas um número restrito de candidatos apoiados pelo PNC.

Com a eleição se aproximando, o cenário político em Bangladesh continua a evoluir. A ausência da Liga Awami, que dominou a política por tanto tempo, abriu espaço para novas alianças e rivalidades. À medida que a geração Z, que inicialmente desempenhou um papel crucial nas manifestações, tenta se afirmar no novo sistema político, as divisões internas e a ascensão de partidos rivais podem afetar suas aspirações.

Assim, a expectativa para a eleição é alta, mas o futuro da geração Z em Bangladesh permanece incerto. A capacidade dos jovens de moldar a política do país dependerá não apenas de sua organização interna, mas também da dinâmica das forças políticas estabelecidas que estão competindo por poder e influência.

Sobre o autor: Equipe de Producao

Equipe interna reunida para criar, organizar e publicar conteúdos pensados para informar e engajar leitores.

Ver todos os posts →