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Cofundador da Fatal diz que patrocínio ao Corinthians busca ‘naturalizar’ conteúdo adulto

Cofundador da Fatal diz que patrocínio ao Corinthians busca ‘naturalizar’ conteúdo adulto

O cofundador e diretor de negócios da Atlas Technologies, Samuel Ongaratto, afirmou que o objetivo do patrocínio da Fatal Fans ao Corinthians é naturalizar a presença de plataformas de conteúdo adulto no cotidiano dos brasileiros. A empresa passou a estampar sua marca no uniforme do clube paulista.

“Quando você coloca a marca de um site adulto em um lugar de prestígio, ao lado de marcas que têm confiabilidade, essa confiabilidade passa para ela por osmose”, disse Ongaratto em entrevista. “É por isso que a gente fez esse investimento no Corinthians. Porque, se fizermos um cálculo do retorno deste investimento, não há conta que o justifique”, completou.

A Fatal Fans é uma plataforma de assinatura de conteúdo adulto, com fotos e vídeos eróticos ou pornográficos produzidos por mulheres, homens e casais, em modelo semelhante ao OnlyFans. A empresa retém 15% do valor de cada transação. Segundo a Atlas Technologies, o site reúne cerca de 30 mil criadores de conteúdo e recebe 7 milhões de visitas por mês.

Já a Fatal Models, plataforma que reúne perfis de acompanhantes e que já patrocinou outros times como o Vitória, registra 30 milhões de acessos mensais e deve faturar R$ 180 milhões em 2026. Nela, profissionais do sexo criam perfis gratuitamente e pagam pelo impulsionamento de suas páginas. As transações são feitas diretamente entre usuários e acompanhantes, sem intermediação da empresa.

Contrato e polêmica

O contrato de R$ 22 milhões entre o Corinthians e a Fatal Fans, válido até 2027, foi fechado em meio à crise financeira do clube, cuja dívida está entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,7 bilhões. O acordo deu fôlego ao caixa corintiano, mas gerou uma polêmica nacional sobre os limites da publicidade no esporte e a proteção de crianças e adolescentes.

Segundo Ongaratto, a estratégia de buscar credibilidade para a marca pode fazer com que pessoas que tinham receio de acessar o site passem a se sentir seguras. Ao mesmo tempo, a exposição de uma marca ligada ao mercado adulto em um dos maiores clubes do país alcançaria milhões de crianças e adolescentes que acompanham futebol.

Essa preocupação motivou representações ao Ministério Público de São Paulo, além de projetos de lei para proibir publicidade de conteúdo adulto em espaços públicos e eventos esportivos. As autoras são a deputada estadual Maria Helou (PSOL) e as deputadas federais Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Tábata Amaral (PSD-SP).

Verificação de idade

Ongaratto afirmou que a Fatal Models implantou um sistema de aferição de idade para impedir o acesso de menores de 18 anos. No entanto, ao ser informado de que uma repórter acessou as duas plataformas sem qualquer verificação etária, explicou que o recurso estava em funcionamento apenas em Maceió.

“Fomos a primeira empresa a implementar esse sistema, em março, quando a lei do ECA Digital entrou em vigor. Mas a ANPD informou que a fiscalização dos sites adultos só começaria em janeiro do próximo ano. Ficamos sozinhos no mercado operando com aferição de idade”, disse. Segundo ele, a empresa decidiu suspender temporariamente o sistema enquanto aperfeiçoava a ferramenta.

O conteúdo da Fatal Fans, patrocinadora do Corinthians, é fechado. “Para ter acesso, tem que pagar. E, na hora do pagamento, há não só a aferição de idade, mas identificação do usuário. E se o usuário for menor de 18, a compra é estornada”, garantiu.

O Corinthians informou, por meio de nota, que se certificou de que a Fatal Fans operava em conformidade com o ECA Digital e que não haverá comunicação ativa convidando para o site nem publicidade com conotação de objetificação ou erotização.

Ongaratto reconheceu que a repercussão tende a produzir efeitos comerciais. “Toda polêmica gera curiosidade.” Sobre o consumo compulsivo de pornografia, afirmou que a empresa ainda não desenvolveu políticas específicas para usuários com comportamento problemático e que a discussão “carece de mais debate dentro da empresa”.

O executivo disse que a empresa trabalha para reduzir o estigma em torno de profissionais do sexo. “Esse mercado historicamente foi colocado debaixo do tapete, tanto que muita gente ainda acha que ser acompanhante é crime, quando não é”, afirmou. Hoje ele namora uma produtora de conteúdo adulto e, ao ser questionado se acharia natural se uma de suas filhas escolhesse essa profissão, respondeu: “Eu respeitaria a decisão delas e daria as melhores recomendações possíveis”.

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