Uma página que estava desaparecida do palimpsesto de Arquimedes foi encontrada em um museu da França. O documento é um manuscrito do século 10 que contém cópias dos tratados do cientista grego.
O pesquisador Victor Gysembergh, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, foi quem fez a descoberta. O achado ocorreu no Museu de Belas Artes de Blois, na região central do país.
Um palimpsesto é um pergaminho que teve seu texto original apagado para ser reutilizado. Essa prática era comum na época, já que o material tinha alto valor.
Os tratados de Arquimedes foram copiados no século 10. Séculos depois, por volta dos anos 1200 e 1300, o texto foi apagado. O pergaminho foi então reutilizado para se tornar um livro de orações, um eucólogo.
A história desse palimpsesto único é longa. O poeta e historiador dinamarquês Johan Ludvig Heiberg o encontrou no final do século 19. Em 1906, ele fotografou o documento página por página.
O manuscrito desapareceu durante a Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918. Ele só reapareceu em 1996, em uma coleção particular na França, durante um leilão.
Nesse período, três das 177 páginas do palimpsesto sumiram. A página encontrada por Gysembergh é uma delas. A descoberta foi feita, nas palavras do próprio pesquisador, “um pouco por acaso”.
Gysembergh tem interresse por palimpsestos, pois eles podem conter textos perdidos da Antiguidade. Certo dia, ele comentou com colegas que parte da biblioteca dos reis da França estava preservada em Blois e decidiu buscar lá.
A busca começou pelo Arca, um catálogo online de manuscritos digitalizados. O pesquisador ficou surpreso ao encontrar um manuscrito grego e, mais ainda, um tratado científico do século 10.
Ele comparou a página encontrada com as fotos tiradas por Heiberg em 1906, que estão disponíveis online. A escrita e os detalhes, como uma figura geométrica, eram idênticos. Era o tratado de Arquimedes sobre a esfera e o cilindro.
De um lado da página, há o texto da cópia antiga, ainda visível. Do outro, há um desenho mais recente, provavelmente acrescentado no século 20 por um proprietário para tentar valorizar o documento.
O pesquisador espera realizar uma análise mais aprofundada no próximo ano para decifrar melhor o texto. A descoberta reacende a esperança de que as outras duas páginas perdidas possam ser encontradas algum dia.
Arquimedes foi um físico, astrônomo, matemático e engenheiro que viveu entre 287 e 212 a.C. na cidade de Siracusa. Seu trabalho, incluindo o famoso Princípio de Arquimedes, é estudado até hoje.
Os trabalhos de Gysembergh sobre a descoberta foram publicados no dia 6 de março de 2026 na revista alemã Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik. O manuscrito continua sendo um dos mais importantes para o estudo das obras do gênio grego.
